Teresa Henriques é uma das responsáveis pela Academia Profissional de Cake Design e explicou-nos nesta entrevista muitas das particularidades que levaram à concretização de um livro, que mereceu uma menção honrosa por parte do júri do Portugal Cookbook Fair. Começando exatamente pelo trabalho da Academia, quisemos saber tudo.

Portugal Cookbook Fair. O que é a Academia Profissional de Cake Design e quais são os seus objetivos?
Teresa Henriques. A Academia Profissional de Cake Design é uma escola de formação na área da pastelaria artística; a primeira a certificar cursos de cake design em Portugal. Os principais objetivos são a valorização e o reconhecimento deste setor profissional e, por outro lado, responder às necessidades de formação de profissionais na área do cake design no nosso país.

PCBF. Como surgiu a ideia de fazer este livro e qual foi o seu objetivo?
TH. Durante o curso são inúmeras as receitas que os alunos elaboram. Muitas delas têm um elevado padrão de qualidade. Era uma pena, portanto, que essas receitas ficassem simplesmente guardadas dentro de uma gaveta. Daí surgiu a ideia de fazer um livro cujo objetivo principal é o de acrescentar mais valor às competências adquiridas pelos alunos durante o curso que frequentaram na Academia.

PCBF. Ao folhear o livro, vemos as receitas e as fotografias de diversos cake designers. Quem são estes especialistas?
TH. Todos os participantes no livro são alunos da Academia, e entre os quais também temos alguns formadores.

PCBF. Atualmente, qual o termo mais adequado para descrever estes profissionais? Cake designers ou chefes pasteleiros?
TH. São termos distintos. Um cake designer pode não ser um Chefe, bem como um Chefe pode não ser um cake designer. Digamos que um cake designer é um decorador de bolos ao mais alto nível. Deve, por isso, ter formação em pastelaria, mas numa vertente mais criativa e artística. Por outro lado, um Chefe é um profissional que atingiu um conhecimento elevado e tem uma responsabilidade a nível hierárquico. Pode por vezes acontecer um cake designer também ser Chefe de pastelaria, como é o caso da nossa coordenadora pedagógica na Academia.

PCBF. Qual foi o critério escolhido para estes profissionais fazerem parte do livro?
TH. O único critério foi o de serem alunos ou fazerem parte da nossa Academia.

PCBF. Muitas das receitas que podemos ver no livro são impressionantes. Os leitores podem fazer estas receitas em casa ou isto é mesmo só para especialistas?
TH. Muitas destas receitas são inovadoras. Simbolizam bem os tempos modernos em que vivemos, principalmente numa época em que as sobremesas mais elaboradas estão bastante na moda. Por outro lado, o livro também inclui receitas com a história de várias regiões. Algumas delas passaram de geração em geração, mas surgem agora mais atualizadas e com o cunho dos seus novos autores. Mesmo assim, pensamos que os leitores conseguem fazer estas receitas em casa, pois temos também como objetivo que estas receitas acrescentem valor aos nossos leitores.

PCBF. Desde a estabilização da ideia até à impressão do livro, quanto tempo demorou a desenvolver este projeto?
TH. Desde a reunião de receitas até à entrega na gráfica, este projeto demorou sensivelmente seis meses a ser concretizado.

PCBF. Quais os maiores desafios à concretização deste livro?
TH. O maior desafio é sempre o de obter a fotografia perfeita, que ilustre bem o que pretendemos transmitir. Essa é sempre a maior dificuldade, o que nos obriga a repetir inúmeras vezes a captação da imagem.

PCBF. Acreditamos que se tratou de um trabalho de equipa. Fale-nos um pouco sobre isso?
TH. Sim, foi um trabalho de uma equipa bastante grande, pois tivemos cerca de 72 pessoas envolvidas no projeto. Começámos por contactar os alunos, selecionamos depois as receitas, definimos os trabalhos a apresentar, marcámos as sessões de fotografia – 6 sessões de dia completo –, definimos o layout e o enquadramento da paginação e pronto… o livro surgiu!

PCBF. Como decorreu o trabalho de paginação, de integração do texto e das fotos no formato e design escolhido para o livro?
TH. Foi um trabalho que decorreu com normalidade, pois tínhamos as ideias bem definidas. As pessoas estavam bem preparadas para este trabalho. O fotógrafo e a paginadora já tinham alguma experiência, e a gráfica também nos dava garantias quanto à qualidade do trabalho final.

PCBF. O que representa para vocês receber uma menção honrosa do Portugal Cookbook Fair?
TH. Receber um prémio é sempre muito importante, pois representa uma distinção por um trabalho efetuado. Quando esse prémio é atribuído por um painel de júris tão ilustre e competente a distinção tem ainda mais valor. Foi assim que sentimos esta menção honrosa.

PCBF.  O que pensam destes prémios, enquanto iniciativa para a promoção dos conteúdos gastronómicos publicados em livro e em língua portuguesa?
TH. São de uma importância bastante grande, pois dinamizam e ajudam a divulgar os livros editados em Portugal, chegando assim a informação a mais público.

PCBF. Já têm mais algum livro a ser pensado? Podemos saber qual é?
TH. Sim, o próximo livro está já a ser pensado. Talvez virá dentro da mesma sequência, pois há alunos novos que a Academia está a formar. Mas, provavelmente, só será uma realidade em 2020.